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GORDURA TRANS

Nosso organismo necessita de determinadas gorduras, para a manutenção normal do seu funcionamento – como para a produção de hormônios sexuais e a vitamina D, propagação da informação processada no cérebro aos outros órgãos, entre outras.

Entretanto, a gordura trans, encontrada principalmente em produtos industrializados, é dispensável. Não existe um valor que deva ser ingerido diariamente, e a recomendação é que seja consumido o mínimo possível, e se consumida, não deveria ultrapassar os dois gramas por dia. A gordura trans aumenta os níveis sanguíneos de colesterol ruim (LDL-colesterol) e diminui o níveis sanguíneos de colesterol bom (HDL-colesterol), o que determina formação de placas de gordura nas artérias, aumentando o risco de complicações cardiovasculares, como o infarto cardíaco e AVC. Ela também está associada ao ganho de peso e à obesidade.

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A gordura trans está presente em pequenas quantidades em alimentos de origem animal, como leite e carne bovina. Mas a principal preocupação é com aquela que é produzida artificialmente pela indústria, através do processo de hidrogenação industrial,  que transforma óleos vegetais líquidos em gordura sólida à temperatura ambiente. Elas são utilizadas nos produtos industrializados com o objetivo de  melhorar a consistência, aumentar a vida de prateleira, e para acentuar o sabor.

Encontramos gordura trans em grandes quantidades especialmente em salgadinhos, salgadinhos de pacote, pizzas e batatas fritas congeladas, biscoitos, pipocas de micro-ondas, sorvetes, gorduras hidrogenadas e margarinas entre outros produtos atraentes aos olhos, e os alimentos preparados com estes ingredientes, como bolos e pães.

A Organização Mundial da Saúde recomendou em 2004 que a gordura trans seja cortada da alimentação. A boa notícia é que recentemente, os Estados Unidos decidiram proibir a gordura trans de alimentos processados, sob o argumento de que ela não é considerada segura para a saúde do coração. Esta medida foi anunciada pela agência regulatória do governo americano, a FDA, que estabeleceu um prazo de três anos para as empresas se adequarem. O Brasil, em 2008, ditou uma regra às indústrias alimentícias, mas muito mais branda quando comparada com a dos Estados Unidos, e muito questionada quanto ao seu real cumprimento.

Penso que esta iniciativa americana pode levar à revisão da norma brasileira, e ao maior rigor na fiscalização destes produtos, em benefício à saúde da população, pois o Brasil tem se aproximado dos alarmantes índices e hábitos alimentares americanos. Os números divulgados este ano pelo Ministério da Saúde estimam que 17,9% dos brasileiros estão obesos. As doenças/complicações cardiovasculares são responsáveis por quase 30% das mortes anuais, o que significa que cerca de 310 mil pessoas morreram principalmente de infarto e AVC. 

Até que este maior rigor não ocorra aqui no Brasil,  devemos fazer escolhas mais saudáveis, dando preferência àqueles alimentos que tenham menor teor dessas gorduras, ou que não as contenham.

A leitura dos rótulos dos alimentos permite verificar quais alimentos são ou não ricos em gorduras trans. O valor de gorduras trans dos alimentos é declarado em gramas presentes por porção do alimento, e a porcentagem do Valor Diário de ingestão (%VD) de gorduras trans não é declarada porque, com já disse, não existe requerimento para a ingestão destas gorduras, ou seja, não existe um valor que deva ser ingerido diariamente, a recomendação é que seja consumido o mínimo possível. Não se deve consumir mais que 2 gramas de gordura trans por dia. É importante também verificar a lista de ingredientes do alimento, pois através dela é possível identificar a adição de gorduras hidrogenadas por exemplo – que é um tipo de gordura trans,  durante o processo de fabricação do alimento.

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Fontes bibliográficas:
– Jornal The New York Times  -Edição dia 16 de Junho de 2015.  Matéria: F.D.A Sets 2018 Deadline to Rid Foods of Trans Fats.
– Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
– World Health Organization. Global Strategy on diet, physical activity and health: list of all documents and publications. Fifty-seventh World Health Assembly. A57/9. 2004.

Vídeo:
– GloboNews Jornal das Dez.

Imagens:
-Divulgação
-123rf.com