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hCG para emagrecimento: mito!

Recentemente, assistindo à um programa de TV de grande audiência nacional, e com temas interessantes relacionados à qualidade de vida, beleza e bem estar, ouvi uma artista brasileira dizer que faz a dieta do hCG para manter-se sempre magra, e fiquei preocupada com a repercussão do tema…

Que vivemos em uma epidemia de excesso de peso e obesidade, não há dúvidas.

A crescente consciência de que os quilos a mais não trazem somente prejuízo estético, mas também problemas de saúde como diabetes mellitus tipo 2, hipertensão,  colesterol alto, risco aumentado de morte por complicações cardiovasculares e câncer, tem feito com que se procure alternativas para o tratamento. Assim, um dos métodos que vem ganhando espaço na mídia é o uso da gonadotrofina coriônica humana ou hCG.

Vejamos o que nos dizem as evidências científicas

Ao contrário do que se imagina, a controvérsia sobre o uso do hCG para o emagrecimento já tem 60 anos. Em 1954, Dr. Simeons publicou na revista Lancet o estudo intitulado “ The action of chorionic gonadotrophin in the obese”, onde o hCG era usado em conjunto com uma dieta altamente restritiva, de apenas 500 calorias por dia, objetivando perda ponderal, sem fome e mantendo a massa muscular. Contudo, estudos melhor desenhados realizados a partir da década de 1970 não mostraram esse efeito benéfico do hCG.

No ano de 1995, Dr. Lijensen publicou na revista British Journal of Clinical Pharmacology uma extensa revisão de todos os estudos científicos realizados com hCG para o emagrecimento até o momento. O artigo “The effect of human chorionic gonadotropin (HCG) in the treatment of obesity by means of the Simeons therapy: a criteria-based meta-analysis” avaliou 16 estudos e concluiu que não existe qualquer evidência de que o hCG seja efetivo no tratamento da obesidade.

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Além de não auxiliar na perda do peso, o hCG não é melhor que o placebo em manter a massa magra, reduzir a fome ou manter o bem estar. Em outras palavras, este estudo diz que usar hCG ou injeções de água dá na mesma, ou seja, é um tratamento sem efeito.

Como se isso já não bastasse, começaram a aparecer relatos na literatura associando o uso do hCG para emagrecimento com efeitos colaterais graves como trombose.

Mas se o hCG não funciona e pode fazer tão mal, por que alguns médicos defendem seu uso e o prescrevem? Chegamos aqui a um ponto extremamente delicado…

Segundo os artigos 14, 112, 113 e 115 do Código de Ética Médica é vetado ao médico: praticar ou indicar atos médicos desnecessários ou proibidos pela legislação vigente no País; divulgar informação sobre assunto médico de forma sensacionalista, promocional ou de conteúdo inverídico; divulgar, fora do meio científico, processo de tratamento ou descoberta cujo valor ainda não esteja expressamente reconhecido cientificamente por órgão competente; anunciar títulos científicos que não possa comprovar e especialidade ou área de atuação para a qual não esteja qualificado e registrado no Conselho Regional de Medicina. Um profissional que esteja disposto a ser tão antiético só pode ter um conflito de interesse muito grande com a prescrição do hCG, isto é, está ganhando muito dinheiro com isso.

 

Não existe milagre no tratamento do excesso de peso e da obesidade. Existe trabalho sério! Medidas como modificação da dieta baseada em protocolos calóricos e nutricionais seguros; atividade física adaptada às capacidades e limitações de cada paciente; e aconselhamento comportamental, incluindo desenvolvimento de hábitos alimentares adequados, como lidar com o estresse e ansiedade, e como adaptar a dieta e o estilo de vida dentro do contexto familiar; geralmente demandam trabalho de equipe multidisciplinar responsável e competente.

Modismos sempre existirão, mas quando você ler qualquer texto na internet ou em revistas, ou mesmo quando for assistir alguma entrevista na TV, sempre procure conhecer as fontes. Certifique-se de que sejam pessoas sensatas e atualizadas, se são ligadas a centros acadêmicos ou a produção científica. Vá atrás das referências citadas e consulte as sociedades médicas e agências de vigilância sanitária.

Imagens: Divulgação
Referência Bibliográfica: SBD

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GORDURA TRANS

Nosso organismo necessita de determinadas gorduras, para a manutenção normal do seu funcionamento – como para a produção de hormônios sexuais e a vitamina D, propagação da informação processada no cérebro aos outros órgãos, entre outras.

Entretanto, a gordura trans, encontrada principalmente em produtos industrializados, é dispensável. Não existe um valor que deva ser ingerido diariamente, e a recomendação é que seja consumido o mínimo possível, e se consumida, não deveria ultrapassar os dois gramas por dia. A gordura trans aumenta os níveis sanguíneos de colesterol ruim (LDL-colesterol) e diminui o níveis sanguíneos de colesterol bom (HDL-colesterol), o que determina formação de placas de gordura nas artérias, aumentando o risco de complicações cardiovasculares, como o infarto cardíaco e AVC. Ela também está associada ao ganho de peso e à obesidade.

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A gordura trans está presente em pequenas quantidades em alimentos de origem animal, como leite e carne bovina. Mas a principal preocupação é com aquela que é produzida artificialmente pela indústria, através do processo de hidrogenação industrial,  que transforma óleos vegetais líquidos em gordura sólida à temperatura ambiente. Elas são utilizadas nos produtos industrializados com o objetivo de  melhorar a consistência, aumentar a vida de prateleira, e para acentuar o sabor.

Encontramos gordura trans em grandes quantidades especialmente em salgadinhos, salgadinhos de pacote, pizzas e batatas fritas congeladas, biscoitos, pipocas de micro-ondas, sorvetes, gorduras hidrogenadas e margarinas entre outros produtos atraentes aos olhos, e os alimentos preparados com estes ingredientes, como bolos e pães.

A Organização Mundial da Saúde recomendou em 2004 que a gordura trans seja cortada da alimentação. A boa notícia é que recentemente, os Estados Unidos decidiram proibir a gordura trans de alimentos processados, sob o argumento de que ela não é considerada segura para a saúde do coração. Esta medida foi anunciada pela agência regulatória do governo americano, a FDA, que estabeleceu um prazo de três anos para as empresas se adequarem. O Brasil, em 2008, ditou uma regra às indústrias alimentícias, mas muito mais branda quando comparada com a dos Estados Unidos, e muito questionada quanto ao seu real cumprimento.

Penso que esta iniciativa americana pode levar à revisão da norma brasileira, e ao maior rigor na fiscalização destes produtos, em benefício à saúde da população, pois o Brasil tem se aproximado dos alarmantes índices e hábitos alimentares americanos. Os números divulgados este ano pelo Ministério da Saúde estimam que 17,9% dos brasileiros estão obesos. As doenças/complicações cardiovasculares são responsáveis por quase 30% das mortes anuais, o que significa que cerca de 310 mil pessoas morreram principalmente de infarto e AVC. 

Até que este maior rigor não ocorra aqui no Brasil,  devemos fazer escolhas mais saudáveis, dando preferência àqueles alimentos que tenham menor teor dessas gorduras, ou que não as contenham.

A leitura dos rótulos dos alimentos permite verificar quais alimentos são ou não ricos em gorduras trans. O valor de gorduras trans dos alimentos é declarado em gramas presentes por porção do alimento, e a porcentagem do Valor Diário de ingestão (%VD) de gorduras trans não é declarada porque, com já disse, não existe requerimento para a ingestão destas gorduras, ou seja, não existe um valor que deva ser ingerido diariamente, a recomendação é que seja consumido o mínimo possível. Não se deve consumir mais que 2 gramas de gordura trans por dia. É importante também verificar a lista de ingredientes do alimento, pois através dela é possível identificar a adição de gorduras hidrogenadas por exemplo – que é um tipo de gordura trans,  durante o processo de fabricação do alimento.

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Fontes bibliográficas:
– Jornal The New York Times  -Edição dia 16 de Junho de 2015.  Matéria: F.D.A Sets 2018 Deadline to Rid Foods of Trans Fats.
– Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
– World Health Organization. Global Strategy on diet, physical activity and health: list of all documents and publications. Fifty-seventh World Health Assembly. A57/9. 2004.

Vídeo:
– GloboNews Jornal das Dez.

Imagens:
-Divulgação
-123rf.com

Diabetes: sintomas e diagnóstico

O QUE É DIABETES?


Os alimentos sofrem digestão e se transformam em açúcar – chamada de glicose – que é absorvida no intestino, vai para o sangue, que a distribui aos órgãos, onde  é utilizada na produção de energia para a manutenção das funções vitais. A utilização da glicose depende da presença da insulina, um hormônio produzido pelo pâncreas. Quando a glicose não é bem utilizada pelo organismo, por redução da ação e/ou da quantidade de insulina,  ela se eleva no sangue,  o que chamamos de hiperglicemia.

Diabetes é um grupo de doenças, determinado por várias causas. O diabético possui redução da ação e/ou da quantidade de insulina, com o consequente aumento dos níveis de glicose no sangue.

 

QUAIS SÃO OS SINTOMAS DE DIABETES ?
Aproximadamente metade dos portadores de diabetes tipo 2 ( tipo mais comum de diabetes) desconhecem sua condição, uma vez que a doença traz poucos sintomas.
Quando presentes, os sintomas mais comuns são:
– Urinar excessivamente (inclusive acordar várias vezes à noite para urinar);
– Sede excessiva;
– Aumento do apetite/fome;
Perda de peso imotivada (em pessoas obesas a perda de peso ocorre mesmo estando comendo de maneira excessiva);
Cansaço fácil;
Visão turva/embaçada;
Infecções frequentes (mais comumente as infecções de pele).

 

 

QUEM DEVE SER AVALIADO PARA O DIAGNÓSTICO DE DIABETES?

O diagnóstico precoce do diabetes é muito importante, pois o tratamento regular evita que o paciente tenha suas complicações, que são muito comuns e graves.
Qualquer pessoa que esteja com um ou mais dos sintomas acima descritos, deve procurar imediatamente um médico para realização de exames que esclarecerão o diagnóstico.
Aqueles pacientes sem sintomas, devem procurar um médico para avaliação diagnostica do diabetes, se:
Idade for maior que 45 anos;
– Idade for menor que 45 anos, e tiverem qualquer um dos fatores de risco: hipertensãoobesidade;  parente de 1o grau com diabetes; descendência afro ou hispano-americana;  mulheres que tiveram bebês com peso maior que 4,5 Kg, ou que tiveram diabetes enquanto estavam grávidas; possuírem HDL-colesterol <35 mg/dL e/ou Triglicerídeos > 250mg/d;  já tiveram alguma alteração no resultado da glicose em algum exame laboratorial já realizado.

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Fonte bibliográfica:
– Diretrizes de Diabetes 2014/2015 – Sociedade Brasileira de Diabetes

Imagens:
– Divulgação

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Acúmulo de gordura no fígado

Hábitos alimentares inapropriados e sedentarismo, práticas comuns atualmente, determinam ganho de peso ao longo do tempo.
A obesidade, principalmente a obesidade central – traduzida por cintura abdominal maior que  102  cm nos homens, e 88 cm nas mulheres – associa-se com doenças muito prevalentes na população, como o aumento da pressão arterial,  o aumento dos níveis de colesterol,  o diabetes mellitus, entre outras.

Consequente às essas doenças, instalam-se complicações cardiovasculares, renais e retinianas, e até alguns tipos de neoplasias malignas. Mais recentemente, a doença hepática gordurosa não alcoólica, tipo mais comum de esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado), vem ganhando destaque entre as doenças associadas ao excesso de peso.

Estima-se que 3 a cada 10 indivíduos ocidentais possuem esteatose hepática.
O fato de o paciente ter gordura depositada no fígado aumenta o risco de doenças cardíacas e vasculares em quase 2 vezes. Além do mais, a gordura determina inflamação no fígado, causando uma hepatite, que dentro de alguns anos, pode evoluir para cirrose com suas consequências (câncer de fígado e transplante hepático).

O diagnóstico da esteatose hepática, na grande maioria dos pacientes é feito com exames de imagem ou exames laboratoriais, pois infrequentemente sintomas como desconforto abdominal, cansaço e mal estar, estão presentes. Outras causas de acúmulo de gordura no fígado devem ser investigadas e excluídas, como a presença de outras doenças hepáticas, e uso de  medicamentos ou  substâncias tóxicas, como o álcool. Caso permaneçam dúvidas, uma biópsia do fígado pode ser solicitada.

O tratamento da doença com medicamentos específicos ainda deixa a desejar. No entanto, é indicada a modificação dos hábitos de vida objetivando a  perda de peso,  além do tratamento dos níveis elevados de colesterol e de açúcar.
Assim, antes ainda de precisarmos tratar, vamos todos prevenir esta doença, mantendo hábitos de vida saudáveis, e o peso o mais próximo possível do ideal.

 

Fontes Bibliográficas:
– Chalasani N, Younossi Z, Lavine JE, Diehl AM, Brunt EM, Cusi K, et al. The diagnosis and management of non-alcoholic fatty liver disease: practice Guideline by the American Association for the Study of Liver Diseases, American College of Gastroenterology, and the American Gastroenterological Association. Hepatology 2012 Baltimore, Md. Jun;55(6):2005-23.
– Sociedade Brasileira de Hepatologia
– Sociedade Brasileira de Diabetes