post

Descarte correto do lixo gerado no tratamento do diabetes

O uso de substâncias injetáveis e a monitorização da glicemia capilar na ponta do dedo constituem importantes geradores de resíduos perfurocortantes, biológicos e químicos nas residências de pacientes diabéticos. Não existem recomendações técnicas nem legais para o descarte em domicilio do lixo gerado pelo tratamento do diabetes, diferentemente do que ocorre nos estabelecimentos de saúde, as seringas, agulhas, canetas descartáveis, materiais descartáveis da bomba de insulina, lancetas, resíduos biológicos como o sangue, frascos de insulina, muitas vezes são jogados no lixo doméstico, em recipientes inadequados, expondo um grande número de pessoas à contaminação com agentes biológicos envolvendo perfurocortantes. Além do ferimento, a grande preocupação com um acidente dessa natureza é a possibilidade de infecção com um microorganismo de transmissão sanguínea, especialmente os vírus das hepatites B e C e o vírus HIV.

Todo o contexto nos faz pensar que é preciso ensinar as pessoas quanto ao manejo dos resíduos gerados com o tratamento do diabetes, visando minimizar acidentes e riscos à saúde. De acordo com as normas da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e da Lei 12.305, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, o material deve ser descartado no local de sua geração, imediatamente após o uso, em coletor específico para perfurocortantes. Os coletores para esse tipo de descarte são recipientes rígidos, resistentes à punctura, ruptura e vazamento, com tampa e devidamente identificados com o símbolo internacional de risco biológico, acrescido da inscrição “PERFUROCORTANTE”, indicando o risco que apresenta o resíduo, segundo normas da ABNT.

caixaperfurocortantes_grazielazanetti

Por falta desta legislação específica para a gestão dos resíduos domiciliares, não temos uma ação homogênea em relação a este assunto nas prefeituras brasileiras. Algumas Unidades de Saúde até distribuem o coletor, mas não cobram a sua devolução, portanto, muito provavelmente, o mesmo vai para o lixo doméstico; outras não oferecem o coletor e orientam descarte em recipiente que não atende às recomendações de segurança (como garrafas PET), mas recebem na unidade para tratamento e destino final, e neste caso, muitas vezes, profissionais e usuários correm riscos, já que o recipiente oferece riscos para quem transporta e para quem recebe.

A Sociedade Brasileira de Diabetes lançou um vídeo dedicado ao descarte domiciliar de resíduos provenientes do tratamento do diabetes, voltado para a população em geral e profissionais de saúde. Encaminhe aos seus familiares, vizinhos e conhecidos, assim colabora para a correta orientação no gerenciamento destes materiais  gerados com o tratamento do diabetes, visando minimizar acidentes e riscos à saúde.

 

Fonte: SBD
Imagem: Divulgação

post

óleo de coco: alerta!

Veja na íntegra o Posicionamento da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabolismo (SBEM) e da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) sobre o uso do óleo de coco para a perda de peso, assinado pelos Dr. Alexandre Hohl e Dra. Cintia Cercato, presidentes respectivamente das referidas entidades

Considerando que muitos nutricionistas e médicos estão prescrevendo óleo de coco para pacientes que querem emagrecer, alegando sua eficácia para tal propósito;
Considerando que não há qualquer evidência nem mecanismo fisiológico de que o óleo de coco leve à perda de peso;
Considerando que o uso do óleo de coco pode ser deletério para os pacientes devido à sua elevada concentração de ácidos graxos saturados, como ácido láurico e mirístico;
A SBEM e a ABESO posicionam-se frontalmente contra a utilização terapêutica do óleo de coco com a finalidade de emagrecimento, considerando tal conduta não ter evidências científicas de eficácia e apresentar potenciais riscos para a saúde.
A SBEM e a ABESO também não recomendam o uso regular de óleo de coco como óleo de cozinha, devido ao seu alto teor de gorduras saturadas e pró-inflamatórias. O uso de óleos vegetais com maior teor de gorduras insaturadas (como soja, oliva, canola e linhaça) com moderação, é preferível para redução de risco cardiovascular.

Imagem: Divulgação
Referência: SBEM e ABESO

post

hCG para emagrecimento: mito!

Recentemente, assistindo à um programa de TV de grande audiência nacional, e com temas interessantes relacionados à qualidade de vida, beleza e bem estar, ouvi uma artista brasileira dizer que faz a dieta do hCG para manter-se sempre magra, e fiquei preocupada com a repercussão do tema…

Que vivemos em uma epidemia de excesso de peso e obesidade, não há dúvidas.

A crescente consciência de que os quilos a mais não trazem somente prejuízo estético, mas também problemas de saúde como diabetes mellitus tipo 2, hipertensão,  colesterol alto, risco aumentado de morte por complicações cardiovasculares e câncer, tem feito com que se procure alternativas para o tratamento. Assim, um dos métodos que vem ganhando espaço na mídia é o uso da gonadotrofina coriônica humana ou hCG.

Vejamos o que nos dizem as evidências científicas

Ao contrário do que se imagina, a controvérsia sobre o uso do hCG para o emagrecimento já tem 60 anos. Em 1954, Dr. Simeons publicou na revista Lancet o estudo intitulado “ The action of chorionic gonadotrophin in the obese”, onde o hCG era usado em conjunto com uma dieta altamente restritiva, de apenas 500 calorias por dia, objetivando perda ponderal, sem fome e mantendo a massa muscular. Contudo, estudos melhor desenhados realizados a partir da década de 1970 não mostraram esse efeito benéfico do hCG.

No ano de 1995, Dr. Lijensen publicou na revista British Journal of Clinical Pharmacology uma extensa revisão de todos os estudos científicos realizados com hCG para o emagrecimento até o momento. O artigo “The effect of human chorionic gonadotropin (HCG) in the treatment of obesity by means of the Simeons therapy: a criteria-based meta-analysis” avaliou 16 estudos e concluiu que não existe qualquer evidência de que o hCG seja efetivo no tratamento da obesidade.

dragrazielazanetti_hcg

Além de não auxiliar na perda do peso, o hCG não é melhor que o placebo em manter a massa magra, reduzir a fome ou manter o bem estar. Em outras palavras, este estudo diz que usar hCG ou injeções de água dá na mesma, ou seja, é um tratamento sem efeito.

Como se isso já não bastasse, começaram a aparecer relatos na literatura associando o uso do hCG para emagrecimento com efeitos colaterais graves como trombose.

Mas se o hCG não funciona e pode fazer tão mal, por que alguns médicos defendem seu uso e o prescrevem? Chegamos aqui a um ponto extremamente delicado…

Segundo os artigos 14, 112, 113 e 115 do Código de Ética Médica é vetado ao médico: praticar ou indicar atos médicos desnecessários ou proibidos pela legislação vigente no País; divulgar informação sobre assunto médico de forma sensacionalista, promocional ou de conteúdo inverídico; divulgar, fora do meio científico, processo de tratamento ou descoberta cujo valor ainda não esteja expressamente reconhecido cientificamente por órgão competente; anunciar títulos científicos que não possa comprovar e especialidade ou área de atuação para a qual não esteja qualificado e registrado no Conselho Regional de Medicina. Um profissional que esteja disposto a ser tão antiético só pode ter um conflito de interesse muito grande com a prescrição do hCG, isto é, está ganhando muito dinheiro com isso.

 

Não existe milagre no tratamento do excesso de peso e da obesidade. Existe trabalho sério! Medidas como modificação da dieta baseada em protocolos calóricos e nutricionais seguros; atividade física adaptada às capacidades e limitações de cada paciente; e aconselhamento comportamental, incluindo desenvolvimento de hábitos alimentares adequados, como lidar com o estresse e ansiedade, e como adaptar a dieta e o estilo de vida dentro do contexto familiar; geralmente demandam trabalho de equipe multidisciplinar responsável e competente.

Modismos sempre existirão, mas quando você ler qualquer texto na internet ou em revistas, ou mesmo quando for assistir alguma entrevista na TV, sempre procure conhecer as fontes. Certifique-se de que sejam pessoas sensatas e atualizadas, se são ligadas a centros acadêmicos ou a produção científica. Vá atrás das referências citadas e consulte as sociedades médicas e agências de vigilância sanitária.

Imagens: Divulgação
Referência Bibliográfica: SBD

post

Dicas para medir a glicose

 

Existe uma grande variedade de aparelhos, lancetas e técnicas para fazer o monitoramento domiciliar do valor da glicose no sangue.  Converse com a sua médica para que obtenha ajuda, e escolher o melhor para você.
Não use álcool

É importante ter as mãos limpas antes de fazer o teste. Pequenos vestígios de comida nas pontas dos dedos podem contaminar a amostra de sangue, por exemplo. Mas esfregar álcool nas mãos é desnecessário, pois ao longo do tempo pode afinar a pele, tornando o exame mais doloroso. Lave as mãos com água e sabão.

 

Facilite o fluxo do sangue para formar a gotinha 

Se você frequentemente tem que espremer a ponta do dedo para conseguir a amostra do sangue, tente alguma dessas dicas: use água morna para lavar as mãos, e então deixe seu braço estendido ao longo do corpo, na posição vertical, por um minuto.

Massageie delicadamente o dedo, de sua base até a ponta. Depois de usar a lanceta, use algodão limpo para pressionar a ponta do dedo firmemente por alguns segundos, até parar o sangramento e evitar hematomas.

 

Lancetas

O ideal é que as lancetas sejam usadas apenas uma vez, evite o re-uso.

Há aparelhos que permitem regular a profundidade em que a lanceta penetra na pele. Quanto maior o número da graduação, mais profundamente vai a lanceta.

Converse com sua médica e escolha a menor profundidade possível, sem prejudicar a qualidade da amostra.

 

Varie a posição dos furos

Evite realizar o teste sempre no mesmo local. Prefira as laterais das pontas dos dedos, que são menos enervadas e a picadinha aí pode ser menos desconfortável que na área macia no meio da ponta do dedo.

Embora alguns equipamentos indiquem que você pode colher a amostra também no antebraço ou na coxa, essas regiões do corpo podem não ser as mais indicadas quando o nível de glicemia está em rápida alteração, a exemplo dos períodos após as refeições, atividades físicas, aplicação de insulina ou episódios de Hipoglicemia.

 

Use hidratante

Usar creme para as mãos regularmente vai ajudar a manter as pontas dos dedos macias e os testes serão mais fáceis. Lembre-se de lavar as mãos e retirar o creme antes de fazer o teste.

 

Varie os horários da aferição da glicemia

Algumas vezes sua médica precisa de outros horários, que não somente o jejum, para o melhor controle da glicemia, evitando que ela fique alta e/ou baixa ao longo do dia. Portanto, siga as orientações corretas da profissional que está te assistindo, para que seu controle glicêmico seja otimizado.

 

Converse, tire as dúvidas

Se você estiver passando por algum grande desconforto ou dor, converse com sua médica e com os integrantes da equipe que acompanha seu tratamento. Não seja tímido e não ache que simplesmente “tem que aguentar”.

Em muitos casos, algo pode estar sendo feito de forma incorreta ou pode ser feito de outra maneira, que se adapte melhor ao seu estilo, à sua pele e à sua habilidade.

 

Referência Bibliográfica:
– Sociedade Brasileira de Diabetes

Imagem:
– Divulgação